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17 décembre 2011
14 novembre 2011
11 octobre 2011
3 août 2011
O teto fundo de oxigênio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-se a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.
E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nômadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!…
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.
E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.
Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.
E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, os imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.
E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
José Joaquim Cesário Verde (1855-1886), escritor português.
26 juillet 2011
Este fevereiro azul como a chama da paixão nascido com a morte certa com prevista duração deflagra suas manhãs sobre as montanhas e o mar com o desatino de tudo que está para se acabar. A carne de fevereiro tem o sabor suicida de coisa que está vivendo vivendo mas já perdida. Mas como tudo que vive não desiste de viver, fevereiro não desiste: vai morrer, não quer morrer. E a luta da resistência se trava em todo lugar: por cima dos edifícios por sobre as águas do mar. O vento que empurra a tarde arrasta a fera ferida, rasga-lhe o corpo de nuvens, dessangra-a sobre a Avenida Vieira Souto e o Arpoador numa ampla emorragia. Suja de sangue as montanhas tinge as águas da baía. E nesse esquartejamento a que outros chamam verão, fevereiro ainda em agonia resiste mordendo o chão. Sim, fevereiro resiste como uma fera ferida. É essa esperança doida que é o próprio nome da vida. Vai morrer, não quer morrer. Se apega a tudo que existe: na areia, no mar, na relva, no meu coração – resiste.
21 juin 2011
Da lucidez, que se perde
à flor da minha pele,
vejo um entorno enrubescer,
turva-se ir-se.
Anoitece no caminho
de quem o vento aquece.
Se se queima,
aquilo que resta,
da derradeira essência:
carbono vil.
Reminiscência.
por Tatiares
1 avril 2011
“não precisa morrer pra ver Deus,
não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”
21 mars 2011
Uma pausa
[…]
De uma fala, de poucas palavras, cai o chão
cai de si absorto num emaranhado de fios
de difícil visão.
Causa?
Porquês?
Tantas perguntas bem no meio do umbigo d’um furacão.
Um trem de carga, sobrecarga
descarrilha, se pensa avião!
sem trilhos, a vazar o vão.
Ecoutez !
Neste momento pego a tua mão, e
afago o teu caração, me vejo em constrição.
Um desejo de um não
se sobrepõe à ameaça de um sim.
De fato a vida não muda tanto assim,
e de uma realidade toda alterada, se faz um novo real,
nouveau sentido de tudo… de teu todo.
Faz tu, toi-même de novo,
às avessas,
vive tu la vie presqu’en rose ― ouse.
Il faut que tu t’impose,
si le monde est à l’envers,
Inverte tu e faz…
Outra pausa.
[…]
Agora, vai tu à vida.
por Tatiares
17 février 2011
"Meu coração é uma máquina de escrever As paixões passam As canções ficam Os poemas respiram nas prisões Pra ler um verso, ouvir, escutar Meu coração falar Até se calar a pulsação Meu coração é uma máquina de escrever No papel da solidão Meu coração é Da era de Guttemberg Meu coração se ergue Meu coração é Uma impressão Meu coração Já era Quando ainda não era A palavra emoção Mas há palavras no meu coração Letras e sons Brinquedos e diversões Que passem as paixões Que fiquem as canções Nos poemas, nos batimentos Das teclas da máquina de escrever Meu coração é uma máquina de escrever Ilusões Meu coração é uma máquina de escrever É só você bater Pra entrar na minha história"
9 février 2011
Au quotidien
Pas
En général
International
Comment réconcilier cet état ?
Réponse
On ne peut pas
Camarades démocrates
Je vous ai compris
Nous sommes dispersés
Les réformateurs se sont cachés
Alors demain
Quoi ?
Je me signale
International
Comment voyager
Vers tes bras ?
Réponse
Je ne peux pas
Camarades démocrates
Je vous ai compris
Nous sommes dispersés
Les réformateurs se sont cachés
Derrière des forêts cosmopolites
Moi !
Je me régale
De l’internationale
Comment vous dire qu’ici c’est étroit ?
Réponse
Ici c’est étroit
Camarades démocrates
Je vous ai compris
Nous sommes dispersés
Les réformateurs se sont cachés
Derrière des arbres, des forêts
Guddi tànk, gàtt tànk Gént, dem
No viajo mucho
Yo viajo un poco
Sueño con salir
Et je vous fais part
Sueño con quedar
Alors demain
Quoi ?
Je me signale
International
Comment voyager
Vers tes bras ?
Réponse
Je ne peux pas
Camarades démocrates
Je vous ai compris
Nous sommes dispersés
Les réformateurs se sont cachés
I understand yours wishes derrière des arbres, des forêts.