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Carl Gustav Jung

O teto fundo de oxigênio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-se a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos! 
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nômadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!…
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, os imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!

José Joaquim Cesário Verde (1855-1886), escritor português.

Este fevereiro azul como a chama da paixão nascido com a morte certa com prevista duração deflagra suas manhãs sobre as montanhas e o mar com o desatino de tudo que está para se acabar. A carne de fevereiro tem o sabor suicida de coisa que está vivendo vivendo mas já perdida. Mas como tudo que vive não desiste de viver, fevereiro não desiste: vai morrer, não quer morrer. E a luta da resistência se trava em todo lugar: por cima dos edifícios por sobre as águas do mar. O vento que empurra a tarde arrasta a fera ferida, rasga-lhe o corpo de nuvens, dessangra-a sobre a Avenida Vieira Souto e o Arpoador numa ampla emorragia. Suja de sangue as montanhas tinge as águas da baía. E nesse esquartejamento a que outros chamam verão, fevereiro ainda em agonia resiste mordendo o chão. Sim, fevereiro resiste como uma fera ferida. É essa esperança doida que é o próprio nome da vida. Vai morrer, não quer morrer. Se apega a tudo que existe: na areia, no mar, na relva, no meu coração – resiste.

Da lucidez, que se perde

à flor da minha pele,

vejo um entorno enrubescer,

turva-se ir-se.

Anoitece no caminho

de quem o vento aquece.

 Se se queima,

aquilo que resta,

da derradeira essência:

carbono vil.

 Reminiscência.

por Tatiares

“não precisa morrer pra ver Deus,

não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”

 

Uma pausa

 

 […]

 

 De uma fala, de poucas palavras, cai o chão

cai de si absorto num emaranhado de fios

de difícil visão.

 

Causa?

Porquês?

Tantas perguntas bem no meio do umbigo d’um furacão.

 

Um trem de carga, sobrecarga

descarrilha, se pensa avião!

sem trilhos, a vazar o vão.

 

Ecoutez !

 

Neste momento pego a tua mão, e

afago o teu caração, me vejo em constrição.

 

Um desejo de um não

se sobrepõe à ameaça de um sim.

 

De fato a vida não muda tanto assim,

e de uma realidade toda alterada, se faz um novo real,

nouveau sentido de tudo… de teu todo.

 

Faz tu, toi-même de novo,

às avessas,

vive tu la vie presqu’en rose ― ouse.

Il faut que tu t’impose,

si le monde est à l’envers,

Inverte tu e faz…

 

 

Outra pausa.

 

[…]

 

Agora, vai tu à vida.

 

por Tatiares

"Meu coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões
Pra ler um verso, ouvir, escutar
Meu coração falar
Até se calar a pulsação
Meu coração é uma máquina de escrever
No papel da solidão
Meu coração é
Da era de Guttemberg
Meu coração se ergue
Meu coração é
Uma impressão
Meu coração
Já era
Quando ainda não era
A palavra emoção
Mas há palavras no meu coração
Letras e sons
Brinquedos e diversões
Que passem as paixões
Que fiquem as canções
Nos poemas, nos batimentos
Das teclas da máquina de escrever
Meu coração é uma máquina de escrever
Ilusões
Meu coração é uma máquina de escrever
É só você bater
Pra entrar na minha história"

Au quotidien

Pas

En général

International

Comment réconcilier cet état ?

Réponse

On ne peut pas

Camarades démocrates

Je vous ai compris

Nous sommes dispersés

Les réformateurs se sont cachés

Alors demain

Quoi ?

Je me signale

International

Comment voyager

Vers tes bras ?

Réponse

Je ne peux pas

Camarades démocrates

Je vous ai compris

Nous sommes dispersés

Les réformateurs se sont cachés

 Derrière des forêts cosmopolites

Moi !

Je me régale

De l’internationale

Comment vous dire qu’ici c’est étroit ?

Réponse

Ici c’est étroit

Camarades démocrates

Je vous ai compris

Nous sommes dispersés

Les réformateurs se sont cachés

Derrière des arbres, des forêts

Guddi tànk, gàtt tànk Gént, dem

No viajo mucho

 Yo viajo un poco

Sueño con salir

Et je vous fais part

Sueño con quedar

Alors demain

Quoi ?

Je me signale

International

Comment voyager

Vers tes bras ?

Réponse

Je ne peux pas

 Camarades démocrates

Je vous ai compris

Nous sommes dispersés

Les réformateurs se sont cachés

I understand yours wishes derrière des arbres, des forêts. 

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